Como calcular juros?

Os juros são a compensação pelo empréstimo de dinheiro entre duas partes e, apesar de estarmos habituados a contas bastante complexas com estes termos, é possível simplificar bastante a forma de proceder ao respetivo cálculo. Ao simplificar todo o raciocínio em torno dos juros, torna-se muito mais fácil compreender e analisar qualquer proposta financeira, quer estejamos do lado de quem empresta, ou mesmo do lado de quem pede um empréstimo.

Porque o montante de juros decresce ao longo do empréstimo?

O cálculo dos juros é feito numa base periódica acordada sendo, em cada período, calculada com base no valor em dívida em cada um desses momentos. Ora, à medida que o empréstimo vai sendo amortizado, o valor em dívida vai decrescendo e, consecutivamente, os juros, que remuneram o valor emprestado, vão igualmente diminuindo.

Cálculo mensal vs. Cálculo anual

O valor dos juros varia de acordo com a periodicidade em que é calculado. Genericamente, e assumindo uma taxa de juro sempre positiva, o cálculo de juros mensal representa um valor total de juros a pagar mais elevado, quando comparado com o cálculo anual. Isto acontece, tal como sabemos que, no início do empréstimo, se pagam mais juros, já que estes são calculados a cada momento, com base no valor do empréstimo ainda em dívida. Ora, se o empréstimo vai sendo amortizado, faz sentido que se pague menos porque também existe cada vez menos dinheiro emprestado. E assim se percebe que, com o cálculo mensal de juros, a taxa efetiva anual de juros liquidados acaba por ser um pouco superior àquela que seria aplicada numa hipótese de cálculo de juros anual. O mesmo cálculo poderá, ainda que menos frequentemente, ser calculado numa base trimestral ou semestral.
como calcular juros

Juros Simples

Juros Compostos

O que é a capitalização?

A capitalização é, por vezes, associada ao momento em que o credor (quem empresta dinheiro) vence o direito aos juros, ou seja, coincide com cada momento de cálculo de juros, daí ser comum ouvir-se falar em capitalização mensal ou anual.
Ainda assim, a capitalização de juros respeita ao reinvestimento dos juros no mesmo investimento, à medida que se vão vencendo. Assim, a cada momento em que são pagos juros, o investidor decide reinvestir, pelo que o montante do investimento vai aumentando à medida em que se vai acumulando os juros. É aqui que entra o conceito de juros compostos.

Juros simples e juros compostos

Os juros simples advêm da simples aplicação de uma taxa de juro a um montante fixo de investimento. Nesta hipótese, o investidor recebe o valor dos juros mas não utiliza esse montante para reinvestir, pelo que o montante investido será sempre o mesmo ao longo da duração desta aplicação financeira.
Por sua vez, os juros compostos verificam-se quando existe reinvestimento dos juros recebidos, à medida que vão sendo pagos, aumentando gradualmente o valor investido a cada período de capitalização. O conceito de juros compostos está muitas vezes associado à seguinte fórmula:
VA=VF (1 + i)^n
VF = valor futuro
VA = valor atual
i = taxa de juros
n = período de tempo


Esta fórmula permite-nos avaliar o valor do dinheiro e do investimento ao longo do tempo, já que receber 100€ hoje tem mais valor do que receber 100€ daqui a um ano, pois durante esse ano, é possível aplicá-lo e obter uma determinada taxa de retorno e, desta forma, daqui a 1 ano obter-se-á, por exemplo, 105€ se o montante inicial for aplicado a render a uma taxa anual de 5%.

Porque um empréstimo não contém apenas juros?

A generalidade dos empréstimos concedidos pela banca tem o valor dos juros indexado à Euribor, que é uma taxa média a que o Banco Central Europeu empresta dinheiro aos bancos. Esta taxa serve para regular o valor dos juros pagos entre todos os bancos e ao longo do tempo. As respetivas variações são fruto das forças entre a procura e a oferta, de dinheiro, neste caso.
A esta taxa Euribor, os bancos acrescem o spread, que é a margem de rendimento que eles têm com os empréstimos. Só que as receitas dos bancos não ficam por aqui. De modo a contornar a perceção por parte dos consumidores, os bancos acrescentam taxas diversas, de modo a que se torna complexo comparar o custo total de empréstimos entre bancos diferentes pois, genericamente, apenas a Euribor e o spread são diretamente comparáveis. E de facto, por simplificação, são os valores que mais rapidamente influenciam a decisão de quem procura dinheiro emprestado.
Para contornar esta questão, existe o conceito de Montante Total Imputado ao Consumidor, abreviado por MTIC. Apesar de existirem taxas variáveis ao longo do empréstimo, este valor deve incluir todos os custos associados ao financiamento com base nos pressupostos à data da simulação. Através deste valor de MTIC, é possível comparar as diferentes ofertas de diferentes bancos. Ainda assim, existem quase sempre exigências de contratação de seguros.

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